O meu atelier/Bastidores do Trabalho

A Cris Loureiro convidou-me para fazer parte da sua rubrica Bastidores do Trabalho, falando um pouco sobre mim e os meus projetos e mostrando fotografias do espaço onde produzo as minhas peças.
Este foi um grande desafio, pois tenho muita dificuldade em falar sobre mim e ainda mais em resumir-me nalgumas linhas.
No entanto, não o podia recusar, porque esta foi também uma enorme honra!
Há pessoas que entram na nossa vida de forma inesperada e se tornam tão especiais, que nos perguntamos como é possível não as termos conhecido antes.
Foi assim que aconteceu com a Cris Loureiro. Se há artista completa, é ela: escritora, poetisa da vida, artesã talentosa, criativa inesgotável.
Para a semana, terei um post dedicado ao seu trabalho.
Até lá, é obrigatório ler o seu blog e conhecer as suas peças inspiradoras.
Aqui fica o seu post sobre mim e o meu atelier:

“Conheço a Cristiana há tão pouco tempo que até me custa a acreditar nesta enorme empatia que sinto por ela e, até mesmo, pela sua família. Entendemo-nos sem esforço e fomos acabando por fortalecer laços à medida que fomos encontrando tantas coisas em comum. O trabalho da Cristiana é lindo, de um esmero inquestionável e de uma imaginação sem limites. As peças que ela faz são aquelas que eu escolheria para o quarto das minhas filhas; cor quanto baste, magia em cada detalhe mas uma leveza que não cansa ao olhar e convívio do dia-a-dia. Podia estar aqui o dia todo a tecer-lhe elogios mas acho que o que vem a seguir falará por si ♥”

Sou a Cristiana e tenho 38 anos. Nasci em Lisboa, mas cresci nas Caldas da Rainha, para onde voltei há uns anos e onde tenho o meu atelier.
Tenho uma menina de 11 anos e um rapaz de 6 anos que me enchem a casa de amiguinhos ao fim de semana e nas férias. Confesso que adoro estar rodeada de crianças e fazer todas aquelas atividades que costumam ser interditas dentro de casa!
Em família, levamos uma vida muito ligada à natureza, desde as atividades que fazemos, àquilo que comemos.
Adoro animais, plantas, as cores do outono, caminhos escondidos no campo, a praia no inverno, as pessoas que me surpreendem com o seu bom coração. Não resisto a livros (principalmente os infantis), artigos de papelaria e artes, sites, blogs e boards que me inspirem ou ensinem novas técnicas.
Sou uma sonhadora e uma romântica incorrigível.

Estudei Ciências da Comunicação em Lisboa e pensava seguir cinema ou publicidade. Mas apaixonei-me pelo artesanato e pelo mundo das crianças e acabei por deixar o meu trabalho, em 2001, e seguir o meu sonho.
Desde pequena que adoro transpor histórias para o papel e experimentar técnicas e texturas. Tento juntar tudo isso no meu trabalho, como se cada objeto fosse um pedacinho de um conto de fadas.
Há um ano, decidi dar à minha marca um nome que não fosse o meu. Já tinha esta vontade desde o início, mas a assinatura das peças foi-se confundindo com a marca e adiei a mudança. Quando comecei a vender para fora de Portugal, tudo aconteceu naturalmente e acabou por ser a minha filha a escolher o nome da flor de que mais gosta.

“nenufar” é também o início de uma nova etapa, em que procuro trabalhar com outros materiais mais orgânicos e onde o respeito pelos outros e pela natureza tem o papel principal.
Cada peça que crio dá-me um prazer especial. No entanto, continuo a ter uma predileção pelos painéis. São o artigo que mais se assemelha ao ato de ilustrar uma história.
Dizem que o carinho que colocamos na produção de algo passa para o objeto. Talvez por isso os painéis tenham tanto sucesso. Os têxteis, os puxadores, os dosséis e as bonecas são outros dos acessórios que continuam a ter muita procura. Os móveis são algo diferente. Gosto muito de pintar em madeira, mas num móvel estou mais limitada.

O meu atelier tem de ter muita adaptabilidade, porque nunca sei de que espaço vou precisar. Mesmo assim, tentei dividi-lo por zonas. Tenho a sala onde os móveis são pintados, sem o perigo de estragar outros artigos; a sala onde pinto objetos mais pequenos; e a zona de costura, isolada e mais “limpinha”. Se pudesse, teria uma outra sala apenas para expor artigos prontos.
Quando imagino novos produtos ou me dedico ao site, gosto de o fazer em casa, quando estou sozinha e em silêncio. É onde tenho mais luz e uma janela aberta para a natureza, que me inspira.
No entanto, nenhum destes espaços está exatamente como gostaria. Falta melhorar pormenores, organizar, pendurar quadros… Estou a fazê-lo aos poucos, tanto no atelier como no escritório.

Enche-me o coração quando vejo um objeto meu num espaço e os pais contam-me que, apesar da idade, a criança ainda não se conseguiu separar dele.
A inspiração está em toda a parte, mas tenho tido a ajuda dos meus filhos, sobrinhos, amigos e de todos os clientes que me foram sugerindo as suas fantásticas ideias.
Adoro o que faço e não me imagino a viver de outra forma.


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