A (im)perfect da Cris Loureiro

Antes de conhecer a Cris, conheci o seu trabalho. Descobri-o por acaso quando andava pelo Facebook e, de imediato, fiquei rendida.
As peças são minimalistas, simples, elegantes, de um bom gosto indiscutível. Peças únicas e irrepetíveis (ou não fossem elas artesanais), parte de um trabalho também ele único na sua originalidade.
E há um pormenor que me cativou de imediato: as palavras e frases que a Cris grava nelas, atribuindo poesia à sua funcionalidade.
O trabalho da Cris é feito de palavras, escritas em prosa, mas também elas carregadas dessa mesma poesia. Os textos dos seus blogs são um convite à inspiração. Falam de tudo um pouco e deixam-nos num daqueles estados de alma que queremos transportar para sempre.
E é assim mesmo a Cris.
Depois de conhecer o seu trabalho, conheci-a a ela. Uma amiga sempre atenta e presente. Incansável defensora das artes, da criatividade, da imaginação, do livre pensamento, da tolerância… Como escrevi num post anterior, uma artista completa, ou a artista que todos queremos ser.
Foi um enorme prazer responder ao seu desafio para falar sobre mim própria e sobre o meu trabalho (neste post aqui) e poder saber um pouco mais sobre ela e a sua arte.
A (im)perfect é, na realidade, uma marca perfeita!

Chamo-me Cristina Loureiro (Cris) e venho responder ao desafio que a Cristiana me lançou em resposta ao que lhe lancei e que tiveram oportunidade de ler a semana passada.

A Cristiana convidou-me para falar um pouco sobre a minha marca [im]perfect mas é impossível falar dela sem falar primeiro da minha enorme paixão: a escrita.

Comecei a escrever na fase louca da adolescência, mais tarde escrevia sem direcção e em 2009 criei o meu primeiro bloco de memórias onde partilhei as novidades de quem muda de vida, de país, de sonho. Hoje escrevo-vos de Inglaterra com o coração em Portugal.

Comecei a minha vida em Lisboa, morei no simpático bairro de Sto. António dos Cavaleiros, acabei a faculdade de Arquitetura e mudei-me para o Porto. De lá passei por Londres e hoje vivo numa pequena casa de dois andares num descontraído bairro da zona rural de Inglaterra a 50km da loucura Londrina. Aqui somos sete. Três mulheres de personalidade, um homem de fibra, dois gatos preguiçosos e mais um traquina e brincalhão. Todos temos as nossas imperfeições e todos procuramos conviver com elas.

A vida não tem de ser perfeita, é o meu atual blogue, pessoal e intransmissível, é aquilo que sou, é uma nota a mim mesma, porque a perfeição não existe mas existem momentos carregados dela. Aqui escrevo como quem conta a história de uma vida que não é perfeita mas é real e completa. É dessa escrita, desse partilhar de experiências, e do meu gosto pela decoração que nasceu a primeira peça [im]perfect, o vaso “I will survive”, um vaso que foi inspirado num texto que escrevi sobre a minha vocação para matar plantas. Com essa peça nasceu outra, e outra e mais outra, na maioria das vezes inspiradas na minha vida e nas coisas que vou escrevendo e partilhando.

Trabalho essencialmente na minha mesa de jantar com mais uma mesa provisória que instalei também na sala de jantar para responder ao aumento de trabalho que tive num curto espaço de tempo. Não é a situação ideal mas é a possível no momento, quem sabe um dia consigo montar o meu estúdio num pequeno pré-fabricado ao fundo do jardim.

As peças, em especial as que são feitas em gesso e precisam de moldes, são pensadas em função dos moldes que encontro com a reciclagem de materiais do dia-a-dia. Esta idealização é talvez a parte do processo que me dá mais luta e também aquela que me dá mais prazer.

Adoro trabalhar com porcelana fria, gosto bastante da sensação de meter as mãos na massa e moldar um objeto com elas. Não vejo a hora de me lançar no barro, aprender a usar uma roda de oleiro e encher-me de “lama”.

Este é um caminho sem fim, um caminho que encontrei onde consigo juntar o meu amor pela escrita ao meu gosto por decoração e por criar objetos. Um caminho que me permite gerir o meu tempo à minha maneira e dar à minha família a atenção que ela merece. Um caminho que pode ser feito aqui em Inglaterra ou em qualquer outra parte do mundo. Este é, sem dúvida, o meu caminho.

Para conheceres mais sobre mim e o meu trabalho visita-me:

www.crisloureiroblogs.com

http://imperfectlifedetails.etsy.com

http://avidanaotemdeserperfeita.blogspot.com

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https://facebook.com/imperfectbycrisloureiro

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